quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O último
Há alguma coisa incrivelmente única sobre o primeiro amor. Antes de você, amor, era como se eu fosse um apartamento vazio: paredes em branco, desesperadas por umas marcas de sujeira, uma sala sem estar, uns quartinhos escondidos esperando um futuro descobrimento. Talvez seja isso sobre o primeiro amor que impossibilita qualquer duplicação: ninguém mais será o primeiro a escrever nas minhas paredes, me dar móveis e plantas pra iluminar os cantos mais escuros e criar uma sala de com ele estar.
E eu passei tanto tempo, amor, vivendo sozinha nessa casa que nós construímos dentro de mim. As palavras escritas me fitavam enquanto eu estava de passagem para pegar um livro, e eu ficava pelos cantos... Os cantos dos nossos beijos, que passaram a me desaprovar.
Dentro de mim mesma, ironicamente, eu não era bem vinda. Mas eu nunca tentei apagar as paredes, posso te jurar. Eu nunca mudei um móvel de lugar, eu nunca abri uma portinha se quer sem antes pedir licença, e era como se eu cultivasse um santuário para você na essência do meu ser. Poxa, amor, isso doía tanto.
Eu não poderia te explicar como, mas, um dia, depois de dormir apertadinha naquela cama que era nossa, eu acordei e o quarto estava pintado nas cores de amor antigo. Passou, mas não como se não houvesse passado. As cores eram lindas, você iria amar, amor, eram todas nossas, tudo que de mais lindo nós já vivemos, e eu sempre vou idolatrá-las. Eu sempre vou nos amar, amor. Vou amar nosso vermelho paixão que passou a ser o magenta mais fascinante que já vi. E agora ergo altares somente para elas, essas cores só nossas.
Meu apartamentinho mudou um pouco, amor: nossos cômodos ainda estão lá, intactos, com toda a fé que já depositamos em tudo aquilo, fé maior do que eu já tive em qualquer coisa, e nada me faz sorrir mais do que passar por nosso quartos, nossos cantos, que, afinal, são minha base; é que agora ele finalmente voltou ao me dar boas vindas quando eu entro pela porta da frente.
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