segunda-feira, 30 de julho de 2012

Laserquest

Enquanto o vento gélido cortava sua face que era digna de uma branca de neve, ela tentava incessantemente fazer o isqueiro quase sem fluído funcionar. Finalmente, pensou. Segundos depois já não pensava mais em nada. A fumaça indo ao favor do vento, e os pensamentos batalhando pra ir a favor de alguma coisa.
O frio estava de matar e já havia bagunçado seus cabelos castanhos, mas o cigarro ainda não havia acabado. E sem o cigarro não dá pra aguentar tudo isso - todas essas lembranças, todas as palavras covardes que tentavam formular um pedido de desculpas. Mas ela nunca fora muito boa em pedir as coisas, talvez por nunca ter precisado de nada de ninguém.
Voltando para o restaurante, seu pedido já estava pronto. Janta para um. E pra viagem, óbvio. Afinal, ninguém quer ser miserável em público. Entrando no carro, procurou o vestígio de alguém olhando em seus olhos pelo retrovisor. Não havia ninguém lá dentro. Pensou até que sua alma já tinha jogado tudo pro alto e estava fazendo dos passos de alguém os dela.
Seguindo a passos lentos, atravessou a garagem rumo a seu apartamento com todas as forças concentradas em não cair. Impossível se equilibrar quando falta uma metade. Lá dentro, seguiu sua rotina solitária e foi pra cama cedo, em busca de abrigo. E foi ai que descobriu a falta que o corpo dele fazia nela, e que o abrigo na verdade era ele.

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